quinta-feira, 21 de março de 2013
Denomina-se sabão de toilette ou sabonetes todo o sabão fino perfumado e por vezes corado.
O sabão de toilette compreende o sabão duro e os cremes.
O primeiro é um sabão de soda, contendo, em geral, uma grande percentagem de água, visto que é condição essencial dos sabonetes produzirem bastante espuma e rapidamente.
Os cremes são um sabão de potassa, muito puro, mole e um tanto viscoso.
Para se obterem bons sabonetes, é absolutamente necessário:
1º Que os produtos empregados no seu fabrico sejam, possíveis, puros; e de primeira qualidade os perfumes e as cores.
2º Que tanto estas como aqueles fiquem intimamente ligados com o sabão.
3º Que a massa saponácea apresente uma cor e um perfume uniformes.
4º Que o sabonete ao sair do molde não apresente nem arestas nem ângulos agudos e que as inscrições nelas impressas sejam sempre em baixo-relevo.
Os sabonetes fabricam-se de diferentes modos ou purificado um sabão ordinário de boa qualidade, o que se obtêm refundindo-o; ou preparando um sabão por saponificação a quente, o que, na prática, raras vezes se faz; ou, ainda, por saponificação a frio, processo geralmente adoptado.
Preparação da massa para o fabrico de sabonetes
Saponificação – Para se preparar a massa destinada ao fabrico dos sabonetes, emprega-se muitas vezes a banha de porco misturado com óleo de coco, mas este último deve ser de primeira qualidade e do que no comércio se vende sob a denominação de óleo de coco da cochinchina.
A banha de porco deve ser muito fresca e purificada da maneira seguinte:
Lava-se umas poucas de vezes em água fria e depois divide-se em pequenas porções que se encerram num saco de pano bem limpo, são que se suspende por sobre uma caldeira contendo água em ebulição.
Vai-se comprimindo o saco, pouco a pouco, com os dedos, a fim de que a banha se vá filtrando, e quando esta operação está terminada retira-se o saco no qual ficará depositado o tecido celular contido na banha.
Por cada 100 quilogramas de gordura juntam-se 400 a 500 gramas de sal de cozinha e 100 a 200 gramas de alúmen em pó.
Deve manter-se a água em ebulição durante um quarto de hora, pouco mais ou menos, dividindo a gordura por meio duma espátula que se agitará de contínuo. Seguidamente, modera-se o fogo de maneira que a banha se reúna toda à superfície da água.
Tira-se então toda a espuma que sobre nada e filtra-se a gordura através dum pano colocado sobre uma vasilha apropriada, dentro da qual se deixará coagular a banha.
A gordura assim preparada conserva-se por muito tempo sem se alterar.
O óleo de coco deve ser empregado numa percentagem que varia entre 5 e 20 por cento da quantidade de banha de porco.
A saponificação faz-se pelo processo ordinário, devendo o fabricante ter o cuidado de evitar um excesso de lixívia para que o sabão fique, quanto possível, num estado neutro.
O sabão deve, por consequência, ser salgado por muitas vezes, ou por meio do sal de cozinha ou empregando uma lixívia de soda muito concentrada.
Recoze-se deixando que a ebulição continue ainda, depois da última salga, até que o ensaio sobre a placa de vidro acuse o fim da operação.
O sabão deve ser trabalhado com a espátula durante algum tempo, a fim de se conseguir que ele fique num perfeito estado de pureza.
Feito isto, tira-se a espuma e vaza-se nos moldes.
A porção de sabão que fica depositada no fundo da caldeira é sempre menos pura e por isso deve deixar-se arrefecer à parte.
Á massa destinada à confecção dos sabonetes também se pode juntar sebo e óleo de palma ou uma mistura destas duas substâncias. É necessário, porém, que o fabricante tenha o máximo cuidado em só empregar gorduras absolutamente puras e bem assim evitar todo o excesso de alcalis.
O fabrico da massa destinada ao sabão de toilette não se distingue senão por uma escolha muito cuidada das matérias-primas e por um trabalho muito consciencioso.
Quando se tenha um sabão granulado de um fabrico esmerado, a fabricação dos sabonetes, propriamente ditos, fica limitada às operações de refinação, coloração, perfume e moldagem.
Saponificação a frio – É este o processo geralmente adoptado pelos fabricantes de sabonetes, visto ser muito simples e vantajoso. Empregando-o pode reunir-se numa só operação a saponificação, a coloração e a aromatização.
Nos sabonetes preparados por saponificação a frio entra unicamente óleo de coco, previamente purificado.
A saponificação faz-se a baixa temperatura, mexendo constantemente com uma espátula e por meio duma lixívia de soda concentrada.
É indispensável calcular precisamente a proporção de gordura e de lixívia para se obter um sabão tão pouco cáustico quanto possível.
Para se conseguir este resultado faz-se primeiro um ensaio com uma pequena porção de gordura e uma determinada quantidade de lixívia, ensaio que se repete até se obter a percentagem precisa.
Logo que a saponificação atinja o ponto de uma massa homogénea, tão consistente que dificulte o trabalho da espátula, juntam-se-lhe as matérias corantes e os perfumes, misturando tudo muito bem com o auxílio daquele instrumento.
Como o trabalho manual fatiga muitíssimo emprega-se, geralmente, uma caldeira oscilante, que facilita bastante a mistura.
Se o sabão tem de apresentar diferentes colorações, vaza-se a massa nos moldes, colorindo-se então à vontade.
O sabão de óleo de coco suporta, como já dissemos, uma grande percentagem de água sem perder a sua consistência.
É entretanto preferível não exagerar a referida percentagem, para que os sabonetes não percam depois a sua forma regular e a sua agradável aparência.
Refundição – Obtém-se o sabonete por meio de refundição dividindo o sabão ordinário em pequenos bocados, que em seguida são lançados numa caldeira colocada dentro de uma outra contendo água em ebulição.
Junta-se ao sabão a quantidade de água que for precisa para que fique com a consistência necessária, lançando-se depois nos moldes, nos quais se deitam também as substâncias corantes e os perfumes que se misturam intimamente.
A quantidade de água necessária para a refundição vária segundo as qualidades do sabão que o fabricante empregar.
Um sabão duro, de sebo, necessita de maior porção de água que os demais.
A água deve ser adicionada até que o sabão, endurecendo pelo arrefecimento, produza facilmente uma determinada quantidade de espuma, quando dele se faça uso.
Quando o sabão for muito impuro, adiciona-se 50 a 60 por cento do seu peso de água, salga-se e clarifica-se depois pela ebulição.
É necessário que o fabricante de sabonetes não esqueça que as matérias corantes e os perfumes devem ser muito bem misturadas com a massa saponácea, formando um todo perfeitamente homogéneo.
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